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PORTAS ABERTAS: sobre ANGELAs e ANTÔNIOs

por Tânia Du Bois

 

Tudo começou quando chegamos de viagem, abrimos a porta do apartamento e, agradavelmente, encontramos o livro Ângela e Antônio de Maria Helena Latini. Espiamos as entrelinhas, mas só fizemos a leitura agora, depois de as netas irem embora.

O livro oferece o inusitado no contar a história de Ângela e Antônio, através da prosa poética marcando a busca do humano pelo sentido da vida, onde o amor se declara em dilemas: angústias e prazeres, no surgimento da paixão entre eles. “Ficará o meu amor por Ângela, diluído. Diluído, cairá em chuva sobre gerânios e os jasmins. E haverá um coro de aleluias. E os anjos dirão “amém”.

Na poesia de Latini, encontro aspiração pelo novo e o reflexo do amor em conflitos que acabam conduzindo Ângela e Antônio por caminhos não percorridos, não conhecidos. “Dói-me o Amor. / E não sei dizer / exatamente / em que ponto.” A trama resulta nas passagens marcantes e, ao mesmo tempo, múltiplas, ao desfrutar o tempo em raro momento: encontro de anjos. “Talvez tenha eu / algo de Antônio. / E ele / algo de mim. // E vão discutir / o sexo dos anjos. // teorias suspensas, / para um dia...”

Atravesso a porta para ler a reinvenção da autora, no distinguir a realidade da ficção o que me leva a refletir sobre a repressiva liberdade dos personagens. “... Você sabia Ângela, que o tempo é uma porta aberta?// Ângela debruçada no limite do concreto: parede branca / céu nublado. Transparências, camisola, meio anjo, gerânios e jasmins.”

O livro de Maria Helena é fascinante e abre portas para a passagem de um tempo ao outro. Essas portas me conduzem à parte principal: a relação de Ângela e Antônio, o amor que os liga e separa, porque estão além... além das opções; além do abrir portas e revelar a origem. “Era uma reunião de anjos. Entre o vão da porta da cozinha, escutei:- Ela entrou na sintonia e está perdida. Quando abri a porta disposta a vê-los melhor, só havia o vazio e o barulho cadenciado de gotas, da torneira da pia.”

 

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