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CAVALOS

por Tânia Du Bois

 

 

“Se o olhar visse cavalos: / estar agora sob as crinas: /

estar acordado quando vê-los...” (Fernando J. Karl)

 

Ao passar por túneis que cruzam o tempo e guardam a parte das tradições é sempre interessante conhecer, lembrar e reler a história, com seus grandes momentos, como encontramos na obra O massacre dos Porongos & Outras Histórias Gaúchas, de Paulo Monteiro, onde rememora a história do Rio Grande do Sul, a formação daquele Estado, o povo e a cultura gaúcha. Ele trata do tema como riqueza cultural na busca pela verdade.

Voltando ao cavalo, ele é a insondável paisagem do campo. Seus movimentos parecem anunciar os atos de bravuras, que se fundem com a poesia e surpreendem no encantamento de seu galope, como encontramos em livro de Luiz Coronel, com ilustrações e capa de Paulo Porcella, ”Os Cavalos do Tempo/ galopam pelas colinas. / Trazem a manhã no lombo / e a cerração nas narinas...”

Cavalos representam o tempo de mudanças e, sem destruir o sólido espírito vitoriano, ainda predomina em terras rio-grandenses, fazendo parte da paisagem. Também, constituem outro passo da luta que vem da Independência para libertar e alegrar boa parte do povo.

“Sobre o toso do meu cavalo / tenho a visão de um mundo / onde sou completa, /

livre e sem qualquer preconceito. / simplesmente feliz!!” (Raquel B. Pires)

O tema cavalos gera palavras e sentidos, opiniões em termos literários. A grande preocupação dos escritores é revelar e desnudar a beleza do cavalo, juntamente com sua utilidade e tradições, desencadeando um processo de caracterização na história literária.

Armindo Trevisan, considerado referência na poesia gaúcha, escreveu, “... Teu cavalo é sonho do povo / que devasta flores, / e rola de olho em olho / pelos abismos do medo...”; Jorge de Lima, revela, “Era uma cavalo todo feito em lavas / recoberto de brasas e de espinhos. / Pelas tardes amenas ele vinha...”; e, Murilo Mendes completa, “Pela grande campina deserta passam os cavalos a galope. / Aonde vão eles?.../ São os restos de uma antiga raça companheira do homem / ...os cavalos fecham a curva do horizonte, / Despertando clarins na manhã.”

Escritores empenhados em desvelar o importante papel dos cavalos, no sentido de reviver parte da história como desafio, ostentam a motivação, a paixão por novos encontros, com a possibilidade da conquista, como encontramos no livro Cavalos e Obeliscos, de Moacyr Scliar, onde conta as aventuras de um adolescente em cidade da campanha sul-rio-grandense.

Cavalos chamam a nossa atenção pela força e beleza, refletindo nas artes de escrever, de ler, de contar e de pintar. Nas palavras de Raquel B. Pires, ”Passei por tantas estâncias / Cada qual mais aprendi / Vi velhos contarem sonhos / Que estranhamente vivi / Todos eles partes da história / Que nem mesmo conheci...”