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CENA de RUA: livro de imagens

por Tânia Du Bois

 

Cena de Rua é o livro infantil de Ângela Lago, de 1994. Sua execução foi pela simpatia para com os meninos de rua. É livro de imagens, não há propriamente uma história. A criança conta a sua história do que está vendo, de acordo com a sua experiência de vida e através da sua criatividade.

Cena de Rua é triste (ou não?), mas real! Ou simplesmente são coincidências da vida? Ou são cenas do cotidiano como a do menino vendendo frutas no trânsito. O cachorro no carro late para o menino, enquanto outro motorista rouba a fruta. A vovó que ali passa, com medo do menino, protege a sua bolsa. O menino triste e só, através da vidraça, admira uma mãe que dá carinho para o filho. O menino cansado senta na rua e come a fruta que divide com o cachorro, que também está sozinho. Ainda com fome, rouba um pacote de dentro de um carro, sai correndo e, ao abrir o pacote, encontra frutas. Sacia a sua fome e volta ao trânsito para vender as restantes. E assim a sua vida retorna novamente às ruas.

 

“... o nada se descortina como cena / muda e vazia /

de esperanças.” (Pedro Du Bois)

 

Cena de Rua é literatura infantil que mostra a realidade em que vivemos, através da arte. Pintar também é escrever, como nas palavras de P. M. Bardi, ”Um pintor de talento, também é um escritor”.

Com sensibilidade podemos “ler” o livro e reconhecer o quanto a criança está sozinha; até Júlia, de 5 anos, reconheceu a Cena de Rua e logo montou a sua história para ajudar o menino. Então, em cada sinaleira em que hoje paramos, Júlia diz: “O menino não tem casa, nem dinheiro. Coitadinho! Ele está trabalhando como o menino da história”

Cena de Rua tem a escuridão como pano de fundo, ressaltada em cores fortes e pinceladas corajosas. É diferente e interessante, porque a criança conta o que vê dentro do seu coração e da sua realidade. A parte mais bonita é a da revelação, onde crianças impressionadas e emocionadas com as imagens podem acrescentar uma história para Cena de Rua, criando seus próprios livros.

A autora Ângela Lago dá oportunidade para as crianças se manifestarem de maneira lúdica e de preservação da tradição oral, garantindo assim o desenvolvimento e o entendimento da nossa vida. Também, mostra que o mundo que a rodeia nem sempre é alegre. . Imagens que falam por si, sem textos, estimulando a consciência do leitor e fazendo com que a imaginação se complete numa história a ser contada. Era uma vez...

 

“... As frutas sem morte / não as comemos. / Essas / que uma outra fome,

clara, segura. / Essas / suspensas lá onde o silêncio, / não bem como

uma árvore de vidro, / frutifica. // ... O silêncio sustenta caules /

em que o perigo gorjeia. // ... Alto abandono / em que os frutos

 alvorecem, / e rompem!” (Ferreira Gullar)