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A COR DO MEDO

por Tânia Du Bois

 

A cor do medo é transparente e por vezes (in)visível como em Pesadelo, cantado por Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, “... olha o muro, olha a ponte / olha o dia de ontem chegando / Que medo você tem de nós.../ Você corta um verso eu escrevo outro / você me prende vivo eu escapo morto...”

Dentro da literatura, a morte se apresenta de forma criativa/ artística e nos leva a grandes emoções e reflexões, como nas obras,  Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto; A Morte e a Morte de Quincas Berro D’água,  de Jorge Amado e as Intermitências da Morte, de José Saramago.

            Para os escritores, a morte de certa maneira vem acompanhada de um sentimento inexplicável: a inspiração como exaltação da vida, como vemos em Mário Quintana, “A morte deveria ser assim: / um céu que pouco a pouco anoitecesse / E a gente nem soubesse que era o fim.”

A cor do medo representa a morte através de palavras fortes, doloridas e escuras, com o ar da dor da saudade, que também é solitária, porque nos sentimos indefesos, pequenos e insignificantes diante do vácuo, como nos mostra Pedro Du Bois, ”choramos a morte // Mesmo que nos liberte. // Choramos a libertação / da morte / morte libertada / libertária. // Seca estrada / em pós / de choradas mortes.”

Morrer significa viver o vazio? Morrer é terminar com a vida, o amor, as idéias, a luz, as cores? A morte não é expressão da vida? A morte deixa marcas que, muitas vezes, são os alicerces da vida. Sem a presença desse atenuante não realizamos os nossos desejos e nem mostramos que a amizade, o amor, a solidariedade e o companheirismo superam a morte. Enfim, é o suspiro que precisamos para respirar, sendo a cor do medo o que enfrentamos para colorir.

Segundo Jean Baudrilhard, “Aquilo que chamam morrer não é senão acabar de viver e o que chamam nascer é começar a morrer. E aquilo que chamam viver é morrer vivendo. Não esperamos pela morte: vivemos com ela perpetuamente.”

Precisamos da arte para recriar a vida e sentir, em forma de liberdade, a cor do medo, que ao desvelar o silêncio nutre a esperança da ressurreição das cores. Carlos Pessoa Rosa expressa, “... Hoje sei que não se nasce da terra, mas é nela que adormecemos...” E Max Martins diz, “... o morto é morto / não podes cultivá-lo / no teu agora...”