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SALA DE JANTAR

por Tânia Du Bois

 

Por costume, a casa tem sala de jantar. Espaço a garantir que ela seja ocupada em momentos importantes: o consumo e a reunião ao redor da mesa, onde o ar atravessa a cortina como fruto do encontro.

Na sala de jantar posso alternar ideias com camadas de alta reflexão ao adicionar pitadas de alegria e carinho, em embalagem longa vida. E não deixo faltar iniciativa e criatividade, o que geralmente demonstro através da poesia, por vezes inspirada na alma da sala de jantar.

Pedro Du Bois, em seu livro Os objetos e as Coisas, mostra que “... da transformação da matéria terá o objeto transitado como coisa, antes ideia...”. Segundo Marco Aqueiva, “Os objetos e as coisas são dotados de significação afetiva, provocando em cada ser humano reações emocionais de caráter subjetivo.” Márcio Almeida reflete, “Que objeto é objetivo (referencial) e desconstruído pelo sujeito que o tem sob a educação dos sentidos?” Quantas são as salas de jantar que têm a proeza de deixar o vento refletir-se nas pessoas ao redor da mesa? Jorge Tufic responde, “Somente os grandes poetas / me fazem sentar à mesa/ e libertar meus dedos da ferrugem, //... somente os grandes amigos/ me fazem trocar tudo, tudo mesmo, / por um cavaco de prosa.”

E eu, ao me envolver, penso em plantar sonhos: criar e recriar os objetos. É nesse ponto que tomo um caminho diferente, que aceito o convite para as grandes aventuras do intelecto, onde reinvento o prato em meu cotidiano, passando pelo desafio de frequentar a sala de jantar.

Não importa qual prato sirvo, mas sim, a reunião das pessoas e, o que ensino e aprendo. Por isso, na sala de jantar posso imaginar que ao dividir a mesa com os outros, eles mostram suas ideias detalhadamente e tentam transformar e modelar suas experiências por estarem na minha sala de jantar, tendo o conhecimento como criação.

A sala de jantar é o objeto do processo onde a compreensão do meu pensamento desemboca em uma situação, tarefa que me conduz a raros momentos em que as palavras são inventadas para esconder o meu cotidiano.

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