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MINUANO

por Tânia Du Bois

 

“Contra o dorso indefeso das coxilhas / o Minuano rígido arremete. //

Com seus longos uivos...//... com seu ímpeto forte a sibilante / e o seu açoite rústico e gelado, / fecha e escancara portas e janelas, / por cerros e quebradas assovia, / por todas as passagens e aberturas / elástico e invisível se insinua...”

 

Mansueto Bernardi em seu poema mostra que o vento minuano faz a curva em travessas desconhecidas e canta em coro como desabafo. Ele é o vento misterioso de que sempre ouvimos nos causos. No sonho em que vínhamos vivendo: a lembrança como movimento, espalhando coragem e alegria.

 

O minuano é sonâmbulo e por vezes represa mágoas; em outras, constrói a própria liberdade; corre do sul para o norte e na terra se embrenha. É o vento que repete a arte no prazer da ilusão de sentirmos, parados à sua espera, um fio de grito e o sussurro da folhas cobrindo a solidão.

 

“O vento sul chegou / desfolhando papoulas / vergando caules /

sacudindo polens / agitando palmeiras. ////... O vento sul chegou/

abanando possesso / a minha velha cidade menina /

roçando casas / virando esquinas / levando folhas...”

(Maura de Senna Pereira)

 

Minuano, vento gelado que penetra nos ossos e uiva nas veias desafiando a saudade. Permanece na transparência do vivido tempo. Presente no corpo, onde seu segredo não logra o gelo sobre a noite, quando sopra o pensamento.

 

“O sentido do vento / na noite no barulho / sobre nossas cabeças / de corpos presos / é o que assusta...// O destino do vento / no renovar dos papéis.../ como textos.../ de poucas histórias / é o que assusta os adultos.”

(Pedro Du Bois)

 

O minuano canta versos fortes, estremecendo os dias e, ao penetrar nos corações, domina a eternidade.

 

“Eu quero montar o vento em pelo, /Força do céu, cavalo poderoso /

Que viaja quando entende, noite e dia” (Murilo Mendes)