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MUSA(S) por Tânia Du Bois
“Seu amor canta poemas seu amor é poeta Dito, consagrado, proclamado por loucos e ouvidos e comendas.
Mas tu és dele a musa et tu l’amuses uma musa discreta,
verdadeira elegância que ri como menina nos campos e mares Ah! Feliz do poeta que teus ares respira,
como ave que voa tranqüila nas alturas impensadas e abertas! Se ele te usa, minha cara, só tu, razão e beleza, o inspiras...” (Fernando Andrade)
Musas são como o vento forte contra a poeira; dominam os papéis literários, as obras de arte; são como palavras escritas em telas, como a cor e a sensibilidade das formas. O pintor paraibano Flávio Tavares mostra-nos que domina as mulheres em suas telas, põe em seus quadros o símbolo da fertilidade: as mulheres sobressaem. Elas são representadas como santas, pastoras, grandes amantes, domadoras, protetoras e anjos. Ele usa com adequação o colorido para expressar o belo, conseguindo efeitos significativos: a tristeza da mulher enfeitada; puxar o véu para junto de si e saber que será levada pelo vento: seduzir, ser vencida; ser jovem, ficar velha. Por fim, Flávio Tavares conhece as mulheres. Mas, será que Tavares teve a oportunidade de, entre todas as suas mulheres, conhecer as Alice? Alice Brueggemann e Alice Soares: as mulheres que dominaram as telas, as musas gaúchas da pintura. As duas Alice, artistas plásticas, com muita afinidade e convivência artística, foram trabalhar no mesmo atelier, chamado “Aliciano” pelo pintor Ado Malagoli, incentivador do agrupamento, para alcançar o caminho da profissionalização e comercialização das obras. As duas, ao reunirem pintura e desenho, lado a lado, em busca de aprimoramento, expressando emoção e sensibilidade, passaram a conviver com a nova perspectiva e o pensamento artístico comum. Alice Soares, com seus crayon e pastéis, tendo como tema a criança universal; Alice Brueggemann, com seus olhos, tendo por tema a figura humana, a natureza morta e as paisagens. Diante da mesma imagem, as musas de Flávio Tavares e as Alice estão vinculados à persistência, à criatividade e aos sentidos em ação. Uma verdadeira festa de tintas e cores, desenhos e figuras, onde podemos descortinar imagens como as do poema de Fernando Andrade.
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