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TÂNIA DU BOIS

PAREDES QUE FALAM

por Tânia Du Bois

 

            Você imagina e realiza. Uma parede com retratos de familiares e amigos. Fotos no quarto, no corredor, na sala, aonde der: pura emoção. São registros de viagens, brincadeiras de amigos e de momentos preciosos. São imagens espalhadas pela casa, que reassumem as lembranças.

 

                                   Meço a distância dos amigos, esmaecidos /

                                   amarelecidos // amigos resistem / nas fotografias /

                                   e eternizados em juventudes // meço a memória

                                   dos amigos / nas brincadeiras de antes //

                                   conversa fácil, / atualizando a vida, / desde

                                   quando fomos distanciados.”     (Pedro Du Bois)

 

            Paredes que falam, porque todos os que são amados aparecem nela. São fatos e fotos marcantes, colecionados com amor e carinho, com valor sentimental.      São retratos que estampam poemas, coisas juntadas ao longo da vida.

 

                                   “... O retrato revelou: / visão da poesia humana /

                                   clarificada em doçura,...”            (Murilo Mendes)

 

            Paredes que falam, reúnem lembranças que conversam: o espaço é literalmente um ponto feliz. A fotografia paralisa e eterniza como recorte da realidade. Os retratos trazem a energia dos momentos que vivemos. O segredo está no uso de peças queridas na decoração, apenas para criar um novo e único mundo.

            Para comemorar o Dia Mundial da Fotografia, 19 de agosto, lembro de Thomaz Farkas, o pioneiro da fotografia moderna no Brasil. Farkas, nas suas fotos capta, entre outras, cenas do cotidiano e, principalmente, os olhares; privilegia o elemento humano, ou o que é produzido pelo homem. É o fotógrafo que “eterniza cenas que palavras jamais definiriam...” Segundo ele, na fotografia, temos o olhar e o momento, e o segredo é como juntar os dois.