meiotom  poesia & prosa

e-mail: meiotom@uol.com.br

 

   meiotom.blog                                                   TÂNIA DU BOIS

 

ESPECIAL

 André Carneiro

 Eunice Arruda

 Leminski

 J. Cardias

 Jorge Cooper

 Poesia Cubana

 Poema Libai

POESIA

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 Carlos Pessoa Rosa

 Convidados

 POESIA VISUAL

 Almandrade

 Carlos Pessoa Rosa

 Clemente Padín

 F. Aguiar

 G. Debreix

 Hugo Pontes

 José L. Campal

 J.M.Calleja

 Rafael Marin

 Poe-Zine

 Marcos Rosa

 Avelino Araujo

 Thierry Tillier

 FOTOGRAFIA

 Andrea Angelucci

 F. Pillegi

 Euclides Sandoval

 TITE

 GONDIM

ARTES PLÁSTICAS

 Lúcia Rosa

 Felipe Stefani

 Maria Domênica

 Lampros

 DIVERSOS

 Concursos

 Resultados concursos

 Resenhas

 Estatística

Uma Raridade: SACO DE VIAGEM

por Tânia Du Bois

 

Viajar é fazer arte. E fazer arte é conhecer o livro SACO DE VIAGEM, única obra de Tyrteu Rocha Vianna, que teve a sua primeira edição em 1928, através de Mansueto Bernardi, pela Livraria Globo de PA. Raridade bibliográfica, com tiragem restrita para o autor de 10 exemplares, marcados de A à J. O livro é dividido em duas partes, sendo, a primeira, Vontades de Versos Futuristas: No Galpão:

 

“Lá fora o patrão D. Inverno / Mais D. Frio e seu capataz Minuano / Mais

a peonada deles feita de pingos de garoa / Iam repontando / A manada retacona dos peães / Do pasto alto das noturnas calaveiragens

pelos ranchos / Da vizinhança grávida de gurias cubiços palpáveis /

Para a mangueira das 4 paredes do Galpão...”

 

A segunda, Churrascos de Viagem: Alegrete:

 

“A Arábia pétrea / Reedificada por cima do fogão / Da coxilha da cozinha purgatorial / Do diabo rengo em pessoa / Suados suando suores /

Em trajes meio menores...”

 

Para viajar, basta usar de artifícios como a imaginação e a criatividade, pensando na concepção da palavra, no verdadeiro sonho a ser concretizado aos movimentos do mundo – traços, formas, cores e palavras que trazem a sensação do prazer pela descoberta das raízes do Modernismo no Rio Grande do Sul.

Tyrteu traz o modernismo sul rio-grandense com sua poética de radicalidade inovadora. Busca o diferencial ao escrever poemas diferentes e, ao mesmo tempo, rejeitados ou ignorados por boa parte dos modernistas.

Seu livro, Saco de Viagem, reflete na poesia a paisagem da Campanha, com suas mazelas e desigualdades sociais. Também, retrata o mundo ao construir uma obra de arte na qual somos capazes de nela nos colocar.

O autor aproveita uma nova linguagem para mostrar o que o marcou fundo e para sempre, como as suas necessidades literárias que ele aprimora nas transfigurações poéticas. Cria um jogo entre o intelecto e a imaginação, mobilizando a capacidade vivencial que se traduz no crescimento e no enriquecimento da literatura do Rio Grande do Sul.

Uma viagem, mil palavras... “Mexendo, afoitos, em Passo Fundo, na preciosa “Rio-Grandina” de Antonio Carlos Machado, localizamos a “raridade”, ... o livro Saco de Viagem, de Tyrteu Rocha Vianna”, que então, pelo proprietário, foi generosamente doada ao escritor Itálico Marcon.

O livro Saco de Viagem enriquece a vida por permitir que se desfrute da alma do escritor e, assim, transformar o momento do leitor numa viagem sem fim.