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TELEFONE CELULAR: reflexo ou refluxo do tempo?

por Tânia Du Bois

 

 

“A vida é que nos tem: nada mais temos”. Orides Fontela

 

           

            Antigamente quem falava sozinho na rua era considerado “louco”. Hoje as pessoas consideradas “normais” falam ao celular o tempo todo. Arrisco dizer que a tecnologia mudou os costumes da nossa vida breve e passageira e, como resultado, o tempo passou a ter valor em si. As “coisas” têm de andar depressa, caso contrário as pessoas se aborrecem. Somos condicionados a nunca parar de acumular; juntamos de tudo: dinheiro, sons, experiências, conhecimentos, palavras... Chegamos até a mudar a nossa inserção no tempo. Parar é chatear-se. Gastamos o tempo na gula de consumir, chegando ao ponto de criar dependências: telefone celular, reflexo ou refluxo do tempo?

            Atualmente as pessoas usam o aparelho como se ele fosse peça de seu complemento. Por que de repente todos que têm pressa? Maria Helena Latini diz que “o tempo, / sempre pela tangente, / escapa / e corre para sempre, / escorre / para sempre”.

            De quantas incertezas precisamos para aproveitar o momento e não nos iludir em correr atrás do tempo ou à sua frente? A razão de estar aqui não é aproveitar os benefícios do tempo, como ao ler o conto Vibra Celular de Carlos Higgie e a crônica O Telefone de Rubem Braga? Ou o livro Os objetos e as Coisas de Pedro Du Bois, que poetiza “...O telefone é um objeto através / do qual as pessoas se desatendem...”

            Vale lembrar que Antônio Carlos Jobim sempre andou na contramão da pressa e, através de suas obras, transmitiu a todos o valor da “aventura humana” que, para ele, significava valorizar e observar a natureza e os animais; vivenciar a poesia e a música. Pedro Du Bois expõe razões para estar: “o sentido é estar aqui / em cada dia / gozar as benesses do tempo / contente em cada olhar / em que aproveita o instante e não se ilude com futuros...”.

            Vejo o telefone celular como reflexo da realidade, e o tempo em refluxo muda rapidamente; então, procuro preservar os momentos, confrontando-me com as sombras que se cruzam em minhas atitudes, pela consciência das incertezas vividas e a tecnologia como maior sensação: momento para brilhar e transformar o refluxo do tempo no reflexo.

            Penso que para a manutenção da vida é preciso encontrar tempo para contemplar e perceber o que acontece à nossa volta, sem pressa. O grande desafio misterioso, interessante e inquietante é a busca pela novidade, justificando que o homem pode saborear a vida de maneira confiante e positiva, desde que faça do refluxo deste mundo sem tempo, um mundo imaginativo, contribuindo para que a tecnologia se reflita na vida; assumindo brilhos onde frui novas experiências com atitudes livres e criativas. Porque a sombra é o avesso do reflexo e a vida só se completa com a transformação do tempo. E o telefone celular, é reflexo ou refluxo do tempo?