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TÂNIA DU BOIS

A RECONSTRUÇÃO DO TRAÇO: Eymard Brandão

por Tânia Du Bois

                                   “Formas geométricas

                                   rígidas

                                   entrelaçadas

 

                                   recriam vidas

                                   misturando traços”.   (Pedro Du Bois)                                

 

            Eymard Brandão é um artista plástico sintonizado com a arte contemporânea e comprometido com o ofício de criar, ou melhor, de reconstruir traços.

            Iniciou a sua carreira nos anos 70, ancorado no neo-concretismo, sempre buscando questionar o espaço, o objeto e as linguagens artísticas. Nesse ano recebeu o primeiro Prêmio de Desenho no Salão Universitário de Artes, em Curitiba e, após, teve expressiva premiação em vários outros salões.

            Desenvolveu uma poética sobre materiais reciclados para a sua criação, mas, voltado à idéia da desconstrução na linguagem.

            Marília Andrés Ribeiro cita: “Brandão criou uma linguagem com cores fortes e chapadas numa forma integrada de desenho e colagem".

            Nos anos 80, mira seu olhar para os objetos ecológicos, a partir de materiais descartados e os transforma em obras de arte.

            Seu marco poético é o processo de destruição e construção através da simplificação das formas. Seu trabalho é associado aos concretistas e aos minimalistas norte-americanos e europeus. Suas obras apresentam a simetria, a proporção e o equilíbrio.

            Segundo o crítico Morgan Mota, Brandão prefere a experimentação ao que se refere à estrutura e à geometria, marcada pelos espaços milimetricamente variados e pela utilização de elementos aglutinantes, dando significado à construção de novas linguagens.

            Sua produção é baseada em relevos e pinturas geométricas, a maioria em técnica mista sobre cartão ou chassis.

            Eymard é pintor renomado pela sua inconfundível “expressão da linguagem”, efeito que, com cores e formas, convida o espectador para um passeio introspectivo, para que vagueie por versão contemporânea da reconstrução do traço.