Meiotom - Crônicas


 

 

Vana Comissoli

FRENTE A FRENTE, OU MEIO DE LADO

 

Ouvi tua voz ontem. Parecia de verdade da inverdade que existe no medo de tocar. Vem aí sentimento? Sai correndo! Isso dói. Vai rastejando assim e deixando que a noite traga a lembrança do possível impossível.

Melhor a gente ir fazendo de conta. Que me contas? Pensaste em mim? Eu não existo no mundo ficcional. Que chato! Eu tenho carne e sangue e coisas bestas que o sentimento, fora de moda explode na cara de quem não quer ver.

Ah, eu sei, muitas injunções e não quero me machucar mais. Vai fazendo assim, diz que tudo é de verdade quando não é. Fala de plástico, não te arrisca. O risco traz proximidade e isso dá um medo danado. Imagina se te quiser de verdade. Vai para baixo da cama e fica quieto. Lá não posso te encontrar.

O apelido da vida agora é faz de conte que...

Me conta, teu corpo deitado ao lado do meu, era mais uma ilusão do que se quer mas não se quer? Te abraçar quando estavas entregue foi errado?

Bate a porta aberta. Não me esgoela na vida que quero e não este silicone que pensas que é real. Responsabilidade. Isso é legal. Escreverei na pedra fria de tua tumba.

Um dia me sentei na frente do cara lá de cima que me fez uma pergunta:

- Que fizeste com a vida que te dei.

Tremi. Fui responsável. Agi certinho. Só escorreguei no sufoco. Sufoco. Teu braço quente eu neguei.

O cara, mesmo se chamando Deus, riu da minha cara. Ele colocou escapes que neguei. Amor e carinho que temi. Afinal o que esse cara quer de mim?

Busquei nos dicionários de Boa Conduta. Estava tudo ali e ainda assim errei?

Deus é engraçado. Ri de tudo que faço. O que eu faço? Desfaço tudo que Ele faz para mim. Ensino ao meu filho que o bom é ser infeliz e as moléculas se trombam no infinito.

Agora chegou aquela senhora vestida de roxo que cutuca com unha grande. A vida é um laço que não abraço. Te renego por que te pegar no colo é um ato aterrorizante.

Eu não decidi por que tu ainda estás aí e não desistes.

 O que posso fazer com esse mau comportamento?

Viver apenas. Isso existe?

Caminhei por caminhos estranhos só para existir. O que posso levar daqui, além disso? Abracei o amor que me foi dado. Beijei de paixão. Sairei agora, sob a chuva para ver se ainda existe gente de verdade.

O mundo virou silicone. Meu Deus, Tu não és de silicone!

O mundo não é de silicone.

Eu não acredito. Eu acredito. O que eu faço com essa gente? 

Vana