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FRENTE A FRENTE, OU MEIO DE LADO
Ouvi tua voz ontem. Parecia de verdade da
inverdade que existe no medo de tocar. Vem aí sentimento? Sai
correndo! Isso dói. Vai rastejando assim e deixando que a noite
traga a lembrança do possível impossível. Melhor a gente ir fazendo de conta. Que me
contas? Pensaste em mim? Eu não existo no mundo ficcional. Que
chato! Eu tenho carne e sangue e coisas bestas que o sentimento,
fora de moda explode na cara de quem não quer ver. Ah, eu sei, muitas injunções e não quero me
machucar mais. Vai fazendo assim, diz que tudo é de verdade
quando não é. Fala de plástico, não te arrisca. O risco traz
proximidade e isso dá um medo danado. Imagina se te quiser de
verdade. Vai para baixo da cama e fica quieto. Lá não posso te
encontrar. O apelido da vida agora é faz de conte
que...
Me conta, teu corpo deitado ao lado do meu,
era mais uma ilusão do que se quer mas não se quer? Te abraçar
quando estavas entregue foi errado? Bate a porta aberta. Não me esgoela na vida
que quero e não este silicone que pensas que é real.
Responsabilidade. Isso é legal. Escreverei na pedra fria de tua
tumba. Um dia me sentei na frente do cara lá de
cima que me fez uma pergunta: - Que fizeste com a vida que te dei. Tremi. Fui responsável. Agi certinho. Só
escorreguei no sufoco. Sufoco. Teu braço quente eu neguei. O cara, mesmo se chamando Deus, riu da
minha cara. Ele colocou escapes que neguei. Amor e carinho que
temi. Afinal o que esse cara quer de mim? Busquei nos dicionários de Boa Conduta.
Estava tudo ali e ainda assim errei? Deus é engraçado. Ri de tudo que faço. O
que eu faço? Desfaço tudo que Ele faz para mim. Ensino ao meu
filho que o bom é ser infeliz e as moléculas se trombam no
infinito.
Agora chegou aquela senhora vestida de roxo
que cutuca com unha grande. A vida é um laço que não abraço. Te
renego por que te pegar no colo é um ato aterrorizante. Eu não decidi por que tu ainda estás aí e
não desistes. O que posso fazer com esse mau
comportamento? Viver apenas. Isso existe? Caminhei por caminhos estranhos só para
existir. O que posso levar daqui, além disso? Abracei o amor que
me foi dado. Beijei de paixão. Sairei agora, sob a chuva para
ver se ainda existe gente de verdade. O mundo virou silicone. Meu Deus, Tu não és
de silicone! O mundo não é de silicone. Eu não acredito. Eu acredito. O que eu faço
com essa gente?
Vana |