| Meiotom - Crônicas |
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Vana Comissoli |
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ESCRITOR
Escritor, ao contrário da magnífica aura que se criou em torno da atividade, é um bicho chato paca. Escreve tudo que passa pela cabeça e filosofa. Como filosofa!! Depois manda para todo mundo.
A muitos ele enche o saco por que não estão nem aí para questionamentos, divagações e críticas, ou estão soterrados de trabalho e de saco cheio de estar na frente do computer.
As escrevinhações são de todas as etiologias, podem crer. Desde o cosmo até o mais ínfimo grão de areia. Política e Brasil é o que mais gostamos, incluindo claro, religião e Deus. Serve-nos também assuntos sérios ou humorísticos, relacionamentos e sua dinâmica.
Eu incomodo especialmente escrevendo sobre todas as Dependências.
Quem mais gosta de escritor é outro escritor. Normalmente são as pessoas que mais lêem por isso se amam, animais estranhos no paraíso da imbecilidade chamado Terra.
Uni-vos, escritores brasileiros, cheios de garra e com tão pouca valorização nas terras tupiniquins. Bons são os de fora, das terras civilizadas, onde se escreve qualquer bobagem, se edita e se é lido. Brasileiro reclama, mas gosta de se menosprezar. Nada daqui é bom, só o que vem de fora merece atenção. Ou um que outro Paulo Coelho falando de mágicas pseudo-reais ou algumas plagiadas como sabemos.
A onda dos vampiros parece um tsunami e penso se estamos tão perdidos que só a ficção total aguentamos por que a realidade é dura e não queremos olhar para ela de frente. Isso dá trabalho, teríamos que fazer alguma coisa, no mínimo pensar no mundo que criamos.
Alguns dizem que o livro desaparecerá, o computador, mais fácil, deletável o substituirá e fico feliz em lembrar a declaração de Humberto eco: “Tudo que eu quiser falar seriamente colocarei no papel.”
Talvez venha uma nova “queima às bruxas” e veremos nossos amados filhos de papel torrando no meio da rua. Não é ficção, vêem-se movimentos do governo que desembocarão nisso. Melhor não esperar para ver e gritar antes:
QUERO FALAR! QUERO EXISTIR EM MINHAS PALAVRAS!
Grande Fernando Pessoa dizendo:
“Quem não entende uma palavra, não pode entender uma alma.”
Está na hora de escritor brasileiro deixar de se encolher, não permitir que apenas as traças leiam suas letras santas.