Meiotom - Crônicas


 

 

Vana Comissoli

O PAPA É POP

 

 

 

 

Sabe, eu acho esse negócio de santo uma babaquice. Morreu, virou santo de um modo geral, especificamente na igreja católica chega a ser vergonhoso.

Tal país está baixando a renda do padreco? Vamos já, já, fazer um santo.

E vem as feras igual frei damião que, era um machista desgraçado e dizem... dizem, um bom comedor de beatas incautas. Um bom arrecadador também.

E vem a madre paulina com suacara de cão rosnando e, se a leitura de expressão não se engana, tem um puta significado: DEVE ser um cão rosnando.

Quando li a vida de são agostinho, o grande escrivinhador da igreja...

será que eles me expurgarão pelo "pecado" de não usar maiúscula em igreja? por favor não espalha que faço isso, senão perco minha cadeira no céu.

... fiquei bestificada.

opa, isso é possessão pela besta, preciso tomar cuidado e um banho de água benta. 

O cara começou com uma paixão avassaladora por um amigo. Caiu em depressão quando o amiguinho morreu e não enroscou mais ninguém. Teve uma amante e filho que permitiu à sua mamãe...

também santa, mônica era o nome desta Jocasta.

... que retirasse o menino de sua companheira, Flória Emília.

Aliás, que Jostein Gaarder coloca como uma tremenda mulher em seu livro Vita Brevis. Dona de uma acuidade que deixava o agostinho no chinelo.

Naquele tempinho do século IV, de sacanas à solta, tanto quanto hoje, apenas um pouco mais disfarçado, qualquer um que fizesse um belo discurso era transformado em santo por sua santidade, o papa. Este, receio que mais papava e papeava do que cumpria seus desígnios de trocar uns segredinhos com deus, afinal é o único que tem esse direito, segundo a madre igreja.

A tal santa mônica queria porque queria que seu precioso filhinho, o qual não repartia com ninguém, se fizesse santo. Conseguiu. O que uma mãe santa não consegue? Pena a minha não ter sido tão santa e ter gostado de dar um pouco por aí. Foi a minha perdição, do contrário eu poderia putiar à vontade que no fim, igual ao agostinho que era um tremendo depressivo e neurótico, com mais conflito do que qualquer psicótico, eu seria santa pelos meus reflexivos escritos. Ou talvez não. Minha literatura cheia de sensualidade, despertaria instintos animalescos no santo padre e ele tombaria no átrio de pau duro. Coisa que ninguém quer.

...puxa, lá vou de novo sacanear o pobre homem que já está brocha: penitência: 125 pai nosso e 156 ave maria. Eu não tomo mesmo jeito. Além de ter nascido com um pecado original que não sei onde cometi, desconfio que no quinto dos infernos. Fiquei satisfeita ao saber que pelo menos é original, só eu tenho. Nem isso? Todo mundo tem? Que saco! Assim perde a graça.

Mas, retomando.

Atravesso a vida pecando e copulando fora do santo casamento que, diga-se, estava uma merda. Pior, copulo e não para legar mais doadores à santa madre igreja. Não, não é doador de órgãos, é de grana mesmo. Está certo que tem uns padrequinhos perdidos por aí que são mais chegados no órgão do que na grana, embora aceitem bem os dois juntos.

Pois é, esse negócio de santo é assim: uma sacanagem santa total.

Abdico do santo e fico com o reles humano espetacular como o tal cara chamado Jesus que tinha a estranha mania de recolher prostituta e sentar-se com o gentio. Gentio, aquela raia miúda que incomodava à bessa a mesa dos rabinos também santos. Estou fazendo as contas e quase chego à conclusão que tem mais santo do que gente como nós, bastardos de deus. Gente reles e comum que até peidam, vomitam e tiram tatu no nariz, essas coisas nojentas que santo não faz.

Vale lembrar que Jesus nunca criou igreja alguma e disse bem claramente sobre um homem, o Pedro, até chegado na dúvida e nos escorregões: negou Jesus três vezes. Pois é, foi sobre ele que Jesus disse: És pedra e sobre ti criarei minha igreja. Concluo que era mais importante a pessoa, mesmo que falível, como todos nós. Quem fundou a tal igreja foi constantino e sua mãe.

            Fico também com aquele outro doido que jogou tudo fora, ficou nu na praça, deu um “chega pra lá” no pai manipulador e ainda disse para a gente perdoar em vez de ser perdoado. O tal de Chiquinho, opa, Chiquinho para os íntimos, na comunhão e outros que tais religiosos é são Francisco de Assis. Esse maluco nos declarou irmãos do sol e da lua, ainda por cima abençoou os animais.

Perdoem-me os da estola branca com sua sobrepeliz fúcsia. Não é fúcsia, isso é cor de mulher, é magenta. E não espia por baixo da batina! Queres xeretar a calcinha de renda do bispo e a cinta liga? Que impropriedade! Ele é santo, não é bichona velha. Usa vestidão em favor das morais, éticas e veneráveis tradições da santa igreja. Se tiver umas peças íntimas meio esquisitas é porque é humilde, casto e não tem sexo. Um anjo que também não tem sexo. Uma lástima, não sabem o que estão perdendo. Ave, santo, César e o que mais houver por aí.

Fico também com a desbilolada madre Teresa de Calcutá que não era de Calcutá, mas tudo bem, afinal Calcutá foi uma peça onde todo mundo fica pelado. Devo te confessar que adorei a peça e uma das cenas mais bonitas já assistida no teatro foi aquele fantástico pas de deux dos dois peladões, peladões, encerrando a peça. A Teresa exercia o hábito repulsivo de tocar os pobres, essa gentinha que não toma banho e fede a fome, suor e piolho. Eta, gentinha mais preguiçosa e reclamona! Vai trabalhar, vagabundo, em vez de ficar incomodando pedindo comida, casa e outras futilidades, atrapalhando a digestão do senhor pároco, santo homem penitente de deus.

Deve ser por isso tudo que deus abençoou os cofres do Vaticano que está de burra cheia. Eu sei que o Marcinkus levou um pouquinho. Mas, puxa, ninguém é de ferro! E foi só um pouquinho. Lá tem tanto! Vamos dividir que é compaixão.

Ultimamente apareceu um paranóico, o Frei Beto, maníaco por perseguição dizendo que os miseráveis têm o direito de serem chamados de humanos. Com esse eu também fico.

De passagem gosto também daquele tal de Gandhi, mas esse é herege, não fale seu nome em voz alta, afinal ele só levou a Índia à liberdade sem derramar sangue que não o dele, um feitinho à toa e já fazem um escarcéu. É hindu, o desgraçado! Te excomungo, satanás!

Feito, feitão mesmo fez sua santidade, pio XII fechando os olhos enquanto os fornos alemães ardiam em alta escala usando de combustível os corpos judáicos. Precisamos entender: os judeus negaram o Cristo. O filho de Deus. E eu? O que sou? Ah, é mesmo, sou filho das macegas, dos repolhos, da vagina sebosa de uma mulher. Que droga de deus sofina, só fez um filho. Sou chegada nele também, não é qualquer um que se crucifica pelo próximo e que recebe ladrão de braços abertos.

Engraçado, tenho uma vaga lembrança de ter sido chamada filha de deus no outro dia, ali, na saída da missa. Deve ter sido engano. Afinal: é Jesus o único filho de deus, ou também sou? E tu? E esse montão de gente que vive em cima do planetinha? E aqueles negros beiçudos da África que tem a desfaçatez de morrer de fome? E os nordestinos idólatras, alimentando a água suja e caatinga um monte de vermes na pança, seus ídolos indigestos e inseparáveis?

Ignorância crassa e teimosa a minha que não aceita os dogmas da santa igreja. Dogma... adoro essa palavra, é tão difícil que parece palavrão, mas é chique à bessa! Tão complicada em seu sentido que necessita muita sabedoria para entender o três em um e não é promoção de supermercado, não confunda. É o pai, o filho e o espírito santo, tudo num pacote só. Ainda bem que os padres e a corja, opa, erro meu, não é corja, é solene irmandade santa da católica, apostólica, romana igreja. E eu que pensava que Roma era pagã. Não entendo nada mesmo. Melhor ficar no meu canto, fazer o sinal da cruz onde me prego todos os dias por não compreender que papa precisa  usar sapato feito à mão, da mais pura pelica.

 Será que é pelica, ou pele de gente? Sempre me atrapalho, acho que, no final é tudo tirado de corpos mortos. O outro dia, o papa, os cardeais, os bispos e toda a padrecada estava ensinando ecologia, senão me engano ainda está em teoria, pura conjectura, não é real e os animais não estão sendo extintos, muito menos esses da raça humana.

Eu não sei é nada mesmo. Ainda bem que fui batizada e escapo do fogo do inferno. Se pecar um pouco, o padre jura que me dá extrema unção e sou mais um salvo a palitar os dentes nas nuvens celestes.

O que eu faço se não gosto de harpa?

Ora, não me incomodarei, lá tem rock, afinal o papa é pop!